Ciúmes: Qual seu valor nas relações afetivas?

Um tema difícil para discorrer, pois todos nós ao sermos interrogado quanto a ser possuidor deste sentimento, ficamos orgulhosos de dizer em alto e bom som , que não somos ciumentos. Alguns deixando sua consciência se manifestar, declaram talvez que seja um pouquinho. Chegamos a ouvir que ciúmes é uma forma de manifestar o amor que sentimos.

O ciúme é um sentimento conhecido de to­dos nós, observamos imediatamente nas relações das pessoas ao nosso redor, na clí­nica, nos romances que lemos. Os poetas o retratam em seus versos, e, mais do que tudo, nós mesmos já o experimentamos.

Ciúmes é um sentimento humano que pode interferir, em maior ou menor grau na dinâmica dos relacionamentos afetivos.

Ao procurar a definição da palavra ciúmes encontraremos no dicionário:

“1. Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade, fazem nascer em alguém; zelos.

2. Emulação, competição, rivalidade.

3. Despeito invejoso; inveja.

4. Receio de perder alguma coisa; cuidado, zelo” (FERREIRA, s.d., p.333).

Diante desta definição, podemos entender que sua interferência nas relações podem ser avassaladoras.

Quando estamos diante da possibilidade de sofrer uma perda afetiva é normal sentirmos medos, inseguranças, afinal nunca estamos preparados para enfrentar o fato de sermos excluídos da vida de outra pessoa que elegemos para uma posição de destaque em nossa vivencia.

O ciúmes alem de poder interferir negativamente em nossas relações afetivas, também poder ser considerado uma emoção negativa, pois causa dor psicológica.

Ele produz angústia, raiva, desconfiança, baixa auto-estima, insegurança e tensão nas relações afetivas, e pode atingir formas doentias, abalando a saúde mental, podendo chegar ao extremo da violência (agressões físicas, homicídios e/ou suicídios).

O indivíduo ciumento vive as exigências de um amor possessivo, por medo ou risco de perda do objeto amado.

Embora o ciúmes nos pareça um sentimento totalmente desprezível, o que preocupa são os extremos. Sua au­sência aponta para um problema, e sua in­tensidade revela uma patologia.

Então podemos entender que na medida certa, em pequenas doses pode apresentar benefícios aos relacionamentos.

Podemos observar que o sentimento de ciúme se faz presente em to­das as relações de casais. Tanto sua ausência quanto sua intensidade aumentada são um problema. Sua presença, em doses modera­das, é testemunho do afeto de duas pessoas, é uma espécie de cola que fortalece a relação: “Eu amo e não quero perder o amado”; e, por outro lado: “Sou querido, e o outro me valo­riza, não quer me perder”.

Devemos ficar atentos quando o sentimento de ciúmes se intensifica, provocando sofrimento. Todos nós cultivamos certo grau de ciúme. Afinal, quem ama cuida. O ciúme desenvolve-se quando sentimos que nosso parceiro não está tão estreitamente conectado conosco como gostaríamos. Este sentimento de apreensão que cultivamos, relacionado à possibilidade de sermos abandonados, rejeitados, menosprezados, ou ainda, de haver uma infidelidade em andamento; é o receio de não mais sermos importantes; é o medo de não sermos mais amados; o medo de não possuirmos ou sermos donos de alguém; enfim, é o medo da solidão associado com o abandono do parceiro.

Quando um membro da família sofre com o ciúme, enquanto vítima ou algoz do mesmo, isso acabará por alterar toda a família, todo o sistema, e à medida que o ciúme representa uma ação agressiva a uma perda efetiva ou ameaça de perda, quase sempre ele carrega consigo um sentimento de abatimento, pela afronta à nossa auto-estima e à sensação de segurança. De qualquer forma, o ciúme geralmente pode ser entendido como um sinal de alerta de que algo não vai bem, seja no relacionamento conjugal ou no relacionamento com nós mesmos.

Este pode ser aquele momento mágico de buscar por ajuda qualificada, pois é sempre bom buscar por informações, buscar compreensão sobre as questões que estamos vivenciando em nossos relacionamentos afetivos.

Por hoje é só. Até o mês que vem.

Obs:- Este artigo foi publicado na Revista de Itaquera - http://www.revistadeitaquera.com.br

Autora: Conceição Fernandes

Psicóloga - CRP: 06/132440

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