DOENÇA EM FAMILIA: O QUE FAZER DIANTE DESTA TRAGÉDIA

A vida é algo espetacular, é uma dádiva, onde todos somos iguais, nascemos, chegamos a este mundo sem nada, lutando para conquistar um espaço primeiramente para respirar, depois para viver.

A vida elabora a cada instante uma sucessão de novidades , algumas boas, outras nem tanto. Mas o que irá definir se as novidades que a vida nos trás serão construtivas ou não, será a forma como nos relacionamos com as ditas novidades.

O ser humano nasce, cresce e morre, este é o ciclo natural, mas no decorrer desse desenvolvimento pode adoecer e não conseguir completar todas as fases.

Eis aqui o que queremos discorrer neste texto: “ Quando a doença afeta a trajetória da vida e como pode afetar todo o grupo familiar”.

O que fazer para encontrar construtividade no decorrer de todo este processo de doença em família?

No sentido popular família significa pessoas com laços parentais que vivem numa mesma casa com pais e mães , filhos ou ainda pessoas que possuem laços sanguíneos , ou seja, família nuclear. Mas também pode ser considerada família pessoas sem laços sanguíneos, mas que mantém um relacionamento de convivência diária.

Dentro do sistema familiar cada membro tem o seu papel, as suas atribuições e responsabilidades, pois ela se constituiu como uma sociedade familiar.

Diante do adoecimento de um membro desta família é compreensível entender que toda a família será afetada reagindo diferentemente para cada caso .

Qualquer família pode ser enquadrada para viver a experiência de uma doença, não há como impedi-la de se instalar, principalmente que quando tomamos conhecimento de sua presença ela já está bem instalada.

É neste momento que inicia todos os processos relacionados a, conflitos, lutas, rejeições, aceitações, enfrentamentos. É preciso se organizar, é preciso buscar ajuda profissional, pois agora se faz necessário entrar em um campo de batalha desconhecido e de difícil compreensão. O campo da medicina, dos hospitais, o da saúde.

Durante o processo de doença o desequilíbrio causado no grupo familiar é entendido como uma ameaça provocada pelo estresse proveniente do adoecimento e hospitalização do membro da família . Este desequilíbrio precisa ser restaurado, pois se assim não for , poderá gerar uma crise que pode ser evidenciada pelas respostas físicas ou emocionais dos membros.

Os sintomas que podem aparecer como resultado deste desequilíbrio é: dificuldades para dormir e baixa qualidade de sono, alteração na alimentação, uso de drogas licitas, como cigarros,álcool e calmantes. Alguns sentimentos tais como culpa, sentimento de abandono, menos valia, medo e raiva, provenientes da ansiedade, também manifestado no grupo familiar.

A falta de comunicação é um dos fatores que contribui para dificultar a trajetória do processo vivido pelas famílias no período da doença.

É comum notar que os membros da família evitem falar sobre a doença com o paciente e também entre si, na tentativa de protegerem-se. Os familiares em sua maioria optam por esconderem do paciente seus sentimentos e fragilidades experimentados naquela fase da vida. Na tentativa de passar a ele força , tentam mostrar o quanto estão fortes, confiantes, e certos dos bons resultados no tratamento. Esta conduta pode gerar a falsa idéia de proteção recíproca enquanto na verdade provoca um distanciamento, que pode conduzir a solidão do paciente e dos familiares.

No entanto, compartilhamento de sentimentos, pensamentos dos membros da família e do paciente permitirá que haja elaboração das questões vivida pelo grupo familiar, onde na somatória das fragilidades poderá surgir força para os enfrentamentos necessários que surgirão durante o processo.

É preciso permitir que o paciente tenha o conforto de realizar seus fechamentos de questões, que assim achar necessário.

A família é o apoio principal de um paciente , uma família que lhe dá espaço para viver em um momento que pode ser um final de vida , fará toda a diferença em sua existência ,para ele e a todos que a compartilham .

Portanto acolhimento, escuta, valorização das queixas, identificação das necessidades dos pacientes e dos familiares, com base no dialogo é que estabelece relações que firmam vínculos de confianças que fará toda a diferença para um bom resultado na experiência de viver uma doença em família.

Obs:- Este artigo foi publicado na Revista de Itaquera - http://www.revistadeitaquera.com.br

Autora: Conceição Fernandes

Psicóloga - CRP: 06/132440

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